terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Saudade


Aqui já não há mais folhas nas árvores e os alunos - que mal têm tempo para falar uns com os outros - encerram as últimas atividades do ano letivo. Saudade grande é do campus, de andar de uma faculdade para a outra, dialogando com as Ciências da Computação, a Biologia, a Filosofia, Nutrição, História, enfim; faz falta olhar para o lado e ver um mato sem fim e a terra rachada e sofrida do sol.
A associação torna-se aqui protagonista quando, pela saudade do que realmente se gostava, é fomentada uma vontade de reviver até aspectos de um outro ambiente hostil, do qual não gostava no Brasil.
Inicia-se uma nova visão daquela representação quando no Brasil, tanto das coisas boas como más. É fato, o mesmo processo ocorrerá em regresso. Mas agora, ao menos, não é uma viajem à terra que nunca.
Tem-se passado aqui problemáticas interessantes. Uma delas trata da obrigatoriedade: já somos normalmente obrigados a ser uma série de metas - à cumprir algumas normas e obedecer todas as leis - e ainda vê-se pessoas a criar cada vez mais regras e a trabalhar na dinâmica da obrigatoriedade e dos sistemas verticalizados. É realmente uma violência à peculiaridade, ao livre arbítrio, ao que mais gostamos de fazer (e fazemos isso bem!) e onde a liberdade pondera a realização é de fato prazerosa.
Pessoalmente ínsito que as coisas mais bonitas da vida são aquelas feitas com carinho. Por isso, em meio à alguns trabalhos (obrigatórios e não-obrigatórios), persisto numa pesquisa a cerca da Mídia e da Dismorfia Corporal em adolescentes, um estudo sobre o modelo padrão do jovem veiculado pela mídia, modelo este que se estabelece e influencia as pessoas a segui-lo, a desejá-lo.
Num ambiente de apelo ao prazer, poucos limites, muitas dúvidas e formação ideológica, alguns jovens têm encontrado nos transtornos alimentares, depressão, sexualidade e nas doenças psicofísicas como a Dismorfia Corporal, uma forma de se posicionar e constituir-se intersubjetivamente. É na adolescência que há uma busca constante por uma identidade própria e é influente a cultura de massa, através dos meios de comunicação (mídia), no estabelecimento de um modelo padrão de beleza para a determinação desse comportamento.
Alguns processos coletivos caracterizam marcadamente a concepção a cerca da representação do corpo, e por conseqüência sua valorização. A Revolução Industrial, por exemplo, afere repercussões significativas ao nível das representações do corpo feminino e masculino (Poeschl, 2004). O primeiro é considerado frágil, enquanto o segundo justamente o contrário. O homem é tido como um ser objetivo, onde seu corpo é um instrumento de trabalho e suas preocupações são financeiras e das atividades exteriores. Já à mulher são atribuídas atividades domésticas e maternas, caracterizando-a como um ser sensível, dócil e tímido (Lorenzi-Cicoldi, 1994).
Leta Stetter Holingworth (1916) afirma que o papel atribuído as mulheres na sociedade tem como único objetivo impedir que elas vivam uma vida própria.
Hoje, esse papel, tanto às mulheres quanto aos homens, em grande parte, está estritamente ligado ao consumo e a um processo mercadológico mais amplo. A mídia difunde expectativas (Friedan, 1963) às quais a aquisição de determinados produtos leva a seus alcances e utiliza-se de qualquer ideologia que lhe favoreça. A quebra de estereótipos, que elimina desigualdades (Connell, 1993) é hoje o que têm, por exemplo, expandido o mercado de cosméticos masculinos.
Já observado informalmente no Brasil, e não diferente cá em Portugal, a valorização têm se tornado motivo para a vida, a vida só é vida se for valorizada publicamente, não se faz valorizada unicamente por sua existência. Com a globalização e o desenvolvimento das telecomunicações, da indústria propagandista e da internet, essa existência passou a ser cada vez mais virtual do que vivencial; aliás, essa vivência passou a se dar virtualmente. As fotos ganham cada dia mais importância na busca -e por conseqüência- da maior valorização do visível. Chega-se então a um ponto em que o sujeito diferente dessa figura (ou que não tem a oportunidade, se quer, de aparecer nela) não se sustenta nesse mundo que o desvaloriza.
Existem então dois movimentos: um da sociedade em caminho da aceitação das diferenças e outro do sujeito, buscando aprender a viver bem com elas. O sujeito diferente do modelo-padrão permeia diariamente diversas “clínicas”, do discurso que dá-lhe indiretamente um diagnóstico: “você está mal”, e introduz um prognóstico: “temos a fórmula da vida”. O padrão e a fórmula são sempre mutáveis e vão alimentando o mercado, enquanto o sofrimento põe-se a desenvolver-se nesse discurso, até culminar nos consultórios (cirurgião plástico, psiquiátrico, psicológico), outra alimentação industrial.
Em plena biblioteca da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, pude encontrar mais uma dessas revistas, não só patrocinadas, mas criadas pela indústria da beleza. São cosméticos, clínicas estéticas, remédios de emagrecimento, modelos e histórias de vida a serviço do consumo.
Mas agora paro por aqui. Muitas inquietações têm sido cuspidas em meu texto. O tempo têm dado um pouco de trabalho para administrar. Continuo assim andando. (A foto acima já têm um certo tempo, o frio não têm me estimulado a tirar as mãos enluvadas do bolso)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Mudança



O hábito por muitas vezes nos leva a não olhar ao entorno, a não experimentar aquilo que a partida até nem conhecemos. Parece-me mesmo que o constante lidar com as diferenças, as adversidades e outras incongruências nos faz crescer e identificar-se cada vez mais, seja na mudança (inovando-se) seja na persistência (ratificando as características pessoais). Engraçado é que isso nos remete a um princípio teórico da Psicologia existente nos processos grupais, onde a presença do desviante promove a ênfase da identidade de uma determinada população, já que o diferente passa a ser exemplo a não se seguir. Quantas são as regras sociais parâmetro do comportamento humano qual o próprio homem não se dá conta no seu agir diário? É preciso então que o estranho lhe apareça para que o próprio perceba a existência daquele parâmetro do comportamento (Sollomom) antes camuflado pelo hábito.
O que tanto distancia pensar isso como um processo social ou individual? Imagina então que, no grupo, o antes “desvio” passa a ser normal, e que pessoalmente o estranho passa a inovar suas características, servindo agora como parâmetro. Ou imagina que o desviante é assim identificado permanentemente por uma população e que um sujeito discorda sempre de algo que lhe é incongruente. Vê-se então que a dinâmica dessa maioria está para a cultura tal como para as características da personalidade, ou melhor, esses se imbricam, modificando ou não essas duas instâncias.

Em uma nova morada, e já um tanto acostumado ao contexto europeu, assistir um filme que trata da guerra civil brasileira me faz pensar na representação que têm os portugueses frente às múltiplas imagens atraentes que, ao lado da triste cena de uma Tropa de Elite, passam por cá: um Brasil de um “Porto Seguro” praticamente primitivo. É divulgação dos extremos, que divide as pessoas entre os adoradores e os que querem distância. Apesar de tudo, muita coisa da cultura brasileira é passada nessa terra que, para grande parte dos brasileiros, acaba-se por ser só de Cabral. São as novelas, a música, a língua (com ênfase ao sotaque por alguns prestigiado), a culinária, enfim sem contar a grande quantidade de brasileiros que aqui vivem.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Puta Madre!


Apenas três dias foram suficientes para causar estranhamento ao português (tanto em língua como em comportamento). Além de estar em convívio com espanhóis, os sinais, anúncios de propagandas, símbolos que invadem a publicidade, os hábitos e costumes do um povo extremamente espontâneo.
Esses foram dias, diga-se de passagem, de peregrinação, primeiramente por alcançar a última etapa burocrática para minha estadia cá em Portugal: o Visto de Estudos, segundo porque, de Vigo à Santiago de Compostela, a falta de programação me trouxe enormes surpresas e coincidências como, por exemplo, a de infiltrar-me em uma visita guiada aos telhados da Catedral de Santiago, uma viajem no tempo medieval significando ainda mais a imponência física do lugar, que já quase não cabia em meus parâmetros.
A noite espanhola é encantadora. Deixar moedas entre as pedras nas tabernas centenárias, andar de café em café, cinema em palco de teatro, espetáculos musicais ou danceterias, cervejarias... enfim perambular diferentes lugares numa só noite foi para mim me sentir quase que cigano, ainda porque passando pouco tempo nos lugares e na própria cidade, acaba-se por conhecer pessoas especiais, mas que nunca mais se vê.
De qualquer forma, foi muito proveitosa a convivência nesse ambiente hospitaleiro. Espero conhecer outras cidades espanholas.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Para além dos livros

Andar pelo desconhecido é sempre uma experiência inusitada. Parece que há uma película de encantamento onde são gravadas nossas experiências. Passadas algumas cenas e repetidos os cenários, parece que a monotonia ganha foco. Mas não, há sempre um capítulo diferente, pois aqui - rei ou escravo da relatividade - existe sempre um estático ser em metamorfose.
Difícil é olhar para a janela e ver que o embasado fala um pouco de si, nas decisões a tomar e nos rumos a seguir. O frio quer impedir o andar, mas seguimos em busca do inusitado.
O agora conhecido Castelo de Guimarães, pode-se dizer que é um voltar às cenas dos livros de História, pela sua imponência de estrutura prototípica. No mesmo sentido caricaturável, dá-se para imaginar o sangue que um dia ali fora derramado, as princesas que chorando foram isoladas de seus amores, os cavalos vestidos, os trompetes a tocar; e ver o quanto Portugal se faz bonito na preservação de seus patrimônios.
O fim de ano se aproxima e os papais-noéis enchem as vitrines nos centros comerciais, é tempo de compras: de cama, mesa e banho, tem tudo de estar vermelho, com sinos e bangalas, seja em que parte do mundo for, cristão ou não, “não podes passar um natal sem comer um papai Noel de chocolate”. E o dito cidadão consciente fala: “Afinal, estamos no natal ou na páscoa. Chocolate é na páscoa, oras!”...
Enfim, entre essas querelas, as diversas atividades fazem não ter tempo para desenvolver mais a escrita, mas não quem sabe quando voltar da Espanha...

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Panorama Educativo em Portugal




Chamo agora atenção para o desenvolvimento da disciplina de Intervenção Psicológica em Contextos Educativos, que após algumas pesquisas mais sistematizadas pode-se, com a parceria do colega de turma Luis Meireles, chegar a um panorama sobre a educação em Portugal.
Podemos assim problematizá-la, mas para encetarmos a crítica ao Sistema de Ensino Português consultou-se primeiramente a Lei de Bases dos Sistema Educativo, datada de 1986 com as revisões efectuadas no ano de 2005 e o Relatório do Programme for Internationtal Student Assessment (PISA) apresentado pela OCDE no ano de 2003. Conforme este último, os valores para a literacia nos domínios do Português e da Matemática encontram-se muito abaixo da média dos países participantes no estudo. De onde urge questionar quanto à qualidade de ensino e/ou aprendizagem.
Consultando a Lei de Bases do Sistema Educativo, e após breve leitura, facilmente acordou-se quanto à sua qualidade. Trata-se de uma lei assente em princípios válidos e democráticos, com um grande poder preditivo e que dá resposta a um sem-número de situações, de onde urge questionar se há uma boa aplicação da lei.
No fundo, a segunda questão colocada surge em resposta à primeira. Se não estiver assegurado cumprimento da lei reguladora do sistema de ensino então, o mais provável é que nem o ensino, por um lado, nem a aprendizagem, como outra face da mesma moeda, serão eficazes. O modelo vigente de actuação da escola no terreno é diferente do modelo que a lei encerra. Na escola, como pode-se aferir por experiência social, perdura um modelo atrasado, talvez ainda de transição entre o modelo instrutivo do regime fascista e o modelo que se pretende atingir, democrático e inclusivo. Há muitos serviços dos quais se pretende contemplar a escola e que ou não são exequíveis pela carência de recursos, ou sendo-o não são operacionalizados como a lei preveria. Por exemplo, o psicólogo que trabalha na escola, muitas das vezes, vê a qualidade do seu trabalho comprometida pela necessidade de dar resposta a um número exorbitante de alunos, intervindo unicamente num sentido remediativo, quando as funções previstas pela lei para o psicólogo escolar se centram mais na promoção e orientação do desenvolvimento pessoal do que na remediação de situações agudas.
Voltando, no entanto, a uma esfera mais “macrossistêmica”, no que concerne ao enquadramento do próprio Sistema de Ensino com os restantes sistemas sociais como o Sistema Económico e do Trabalho, com os quais deveria manter uma relação directa, muitas críticas podem-se tecer. De facto, num momento histórico e científico em que se acredita nas potencialidades da transdisciplinaridade, devemos comentar que o poder central, seja em Portugal ou no Brasil, dá um péssimo exemplo. Verifica-se, de facto, que o desenvolvimento social, motorizado pelo Sistema Educativo, poderia ser amplificado, caso houvesse uma melhor comunicação entre o Ministério do Trabalho e o Ministério da Educação. O Sistema de Ensino deveria ter em conta as necessidades do mercado de trabalho, não se alheando do sistema económico, ao invés considerando a economia como um elemento do “background” social preponderante. Como insiste Meireles:
No fundo, tudo se insere num sistema cíclico de Educação – Desenvolvimento – Trabalho – Economia.

Seria ótimo criar instâncias, de preferência não centralizadas, que mediassem as necessidades de cada um destes quatro pólos e a aplicabilidade das suas resoluções. Talvez aproximar os estabelecimentos de ensino dos de formação profissional, melhorar a qualidade e intervir a nível da representação social dos cursos médios, insistir numa orientação vocacional consciente (a nível dos planos individuais e dos planos sociais) e promover o ensino ao longo da vida vertical (no sentido da especialização num tema restrito) e horizontalmente (no sentido de desenvolver competências transversais e aprofundar conteúdos noutras áreas).
Sumarizando, a um Sistema Educativo regido por uma lei teoricamente eficiente correspondem resultados práticos fracos, embora exista a agravante de o sistema tender a afunilar-se, ao invés de contextualizar-se com os momentos sociais e económicos. A escola, pela qual o ensino é mormente operacionalizado, é ainda vista como uma entidade isolada, com funções sociais muito específicas e de acesso limitado. Numa era em que se procura uma efetiva inclusão social, criando-se estratégias para atingir esse fim como os cursos de Educação e Formação de Adultos, os Programas de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (CRVCC – Que certifica competências dos que não concluíram os estudos, podendo esses concursar-se onde antes não pudera), sentimos que há muito trabalho a realizar e que o estado lucraria mais com um trabalho de equipa entre os mecanismos da tutela da educação e os mecanismos da tutela do trabalho, do que cada um atuando isoladamente. Senão vejamos, os estudos realizados mostram déficits graves na literacia do Português e da Matemática (PISA), competências salvaguardadas pelo Sistema de Ensino. No entanto, os Programas CRVCC vêm atribuir qualificações a adultos (de uma forma claramente remediativa), não sendo esta uma medida que se possa relacionar com um aumento dos níveis de literacia. O estudo do PISA é realizado com jovens de 15 anos que continuarão a ter níveis de literacia baixos se, mais tarde, recorrerem, ou não, ao CRVCC (uma vez que este Programa se destina apenas a suprir as necessidades de qualificação profissional; é um programa certifica o que supostamente se tem). Seria, em suma, de interesse procurar um programa que considerasse qualitativamente todas as necessidades quer do Desenvolvimento, quer da Economia. No entanto, há que relembrar que quer o campo da Educação, quer o do Trabalho continuam a merecer as suas atenções específicas e especializadas.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Chega o Tempo


Um ponto intocado,

Um assunto até então guardado,
A Vontade esperando seu amigo,
E o Momento avisando que em breve chegaria,
Mas a Idéia acordou o Momento,
Mesmo, ha tempo, atento à Vontade,
De que aquela a si viria.

A vontade de ajudar os outros é tão grande quanto o benefício/aprendizado próprio. Essa é a lição que tem se repetido nos diferentes contextos, desde os brasileiros. A um mês observando as dinâmicas desenvolvidas em um Centro Social de uma das freguesias portenhas, surge uma idéia ao ver o interesse de alguns jovens por algumas perucas.
A essas últimas podemos associar também as máscaras, fantasias, enfeites e demais adereços que são instrumentos a muito utilizados pelo teatro. Através deles, atores - veteranos ou iniciantes - podem extravasar sua criatividade, seja no inventar de um personagem e sua história ou no desenvolvimento técnico teatral para caracterização do mesmo.
Há ainda uma faculdade projetiva da competência psicanalítica que contribui neste embasamento teórico, porém especificar-se-á aqui o que Vigotsky, em “La imaginación y el arte en la infância” (Madrid, 2003), chama de atividade reprodutora e criadora, definindo que na atividade humana existem, em diferentes níveis, a reprodução de algo já passado ou criação através da memória e/ou imaginação.
Esta última, longe do que se convém no senso comum (de ser algo irreal), é a via de acesso para tornar ativo o que presente está no imaginário, seja reproduzindo algo já passado, seja criando algo novo.
Mais especificamente, a imagem é uma forma que o objeto tem de se apresentar na consciência. Imaginar o objeto é diferente de imaginar a imagem (figura, filme) que esta produz. Quando se imagina algo, a atenção é voltada ao objeto que, na relação, pode produzir múltiplas imagens.
Essas múltiplas imagens formam a representação, ato de conhecimento que consiste na reativação (re-apresentação) de uma lembrança ou imagem e que, no sujeito, são constituídas pelas imagens dos objetos e fenômenos resultantes das experiências anteriores. Então, no processo de percepção e como o próprio nome aponta, o objeto se impõe em sua objetividade; na representação, nem ele, nem a imagem se apresentam, ambos são encontrados dessa vez no subjetivo. As imagens são conteúdos representativos implícitos de alguns elementos sensoriais do objeto, guardam aspectos figurativos da realidade, porém resvalam em subjetividade (Paim, 1912).
Dessa forma, o objeto é carregado pelo indivíduo por imagens e é essa impressão que lhe dá um discurso, uma idéia de imagem e essa do objeto. Isso porque toda imagem está penetrada de saber, memória, afetividade e criatividade. Para essa contribuição teórica, o que vêm a produzir o sentimento no indivíduo é a concepção resultante da reciprocidade imagem/discurso. Conteúdo esse refletido na prática das criações teatrais e objetivo da vontade/idéia a semanas guardada, prática jás tornada e de “Projeto CriAr-te” denominada: criando a arte e extravasando sentimentos, transbordando subjetividade.
Um fato simples, mas que não poderia deixar passar, é que as leituras em espanhol (algumas delas já estimuladas em território Alagoano) têm contribuído veementemente para os estudos no Porto. Apesar de ter cá muitos escritores, os temas de interesse pessoal têm sido encontrados em geral na literatura espanhola ou ainda em suas traduções, uma língua que soa muito emocionante.

Como se não bastasse para relembrar uma semana, surge numa visita inesperada uma amiga de uma relação conturbada, de meses em que as providências invadiam nossos sonos e sonhos, uma estudante em intercâmbio.
Vindo de Lisboa, chega ao Porto e nas primeiras conversas já delata diferenças regionais: olhos sociológicos de uma bióloga em graduação numa conversa infindável, entre desabafos e reflexões a cerca do aqui e agora, na troca de experiência que conduziu os assuntos da comicidade existente no encontro com a alteridade aos sentidos do progresso científico.
Atento para o fato de que o desenvolvimento científico se dá a partir de novas descobertas, que acabam, por um lado, a criar novas necessidades promotoras do maior desenvolvimento humano em suas faculdades, mas por outro, especificamente quando a ciência vive em função da criação de novas necessidades - ou seja, quando as têm como princípio - escraviza populações, no estabelecimento de um novo padrão: de educação, saúde, bem estar.
Enfim, quando ligam-se à isso noções de desenvolvimento, pensamos: desenvolver o que, para que, como e para onde? Debate já trabalhado por Bader no Brasil e que não será aprofundado aqui.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Uma semana normal


Iniciar uma semana como tem sido ao fim dos dias: cansado e feliz. É, realmente não foi uma das melhores experiências, mas a fraqueza tinha força suficiente para conduzir os estudos.
Aos poucos, entre uma conversa e outra nos corredores, demais viajantes pareciam se apresentar. Mas não, eram os primeiros traços do inverno e, em meio a toda aquela constipação, um sorriso pessoal fez face ao cansaço e os trabalhos deram continuidade.
Pensar numa ideologia que acaba por atingir a normalidade dentro de uma civilização e divergindo das demais, e essa cultura, à utilizar seus parâmetros para conceituar o que lhe é - no caso - saudável, reavivou o sentido de que o próprio estudo dessa cultura perpassa as representações de uma primeira.
Fora na perspectiva de considerar a posição (Berlink, 1997) como base constituinte de diferentes subjetividades ou realidades que se deu o entendimento dessa dinâmica e ver o quão inerte é nosso pensamento, deu ainda mais sentido nomeadamente sob o modelo Bio-Psico-Social e a Perspectiva Ecológica e Transacional.
É... será mesmo uma semana normal?

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Cruzando o País

video


Ao pensar que assim o faria, pareceu grandioso. Porém ao ver um ticket que marcava apenas 10 horas de viajem parando nas principais cidades, pensou-se: é...então será um belo passeio. Mas não, não mesmo, a distância marcou a diferença ambiental e, não se sabe se pelo fato de Vila Real de Santo Antônio ser uma cidade turística (ou seria de turistas?), mas era clara a rispidez por parte dos portugueses que lá se encontrou. Perguntar uma informação, iniciar uma conversa, até elogiar algo percebido neles, fora motivo de destrato. “O que se fazer? Como abordar? Contrapor-se?”, eram esses os questionamentos mais freqüentes.
Mas com três dias nessa relação, veio à memória “Um Estranho no Ninho”, como conviver para fazer do mundo um lugar melhor para se viver? Realmente existem coisas as quais não podemos nos contrapor, mas é preciso apresentar-se, falar também da sua loucura e estar aberto para ouvir as outras.
Ainda pensando sobre a questão do turismo, Vila Real de Santo Antônio é uma cidade à beira do rio Guadiana, que ao sul de Portugal lhe faz a divisa com a Espanha. Por essa proximidade geográfica é que muitos espanhóis acabam por ter lá residências, empresas e barcos, muitos barcos. Também é notável a presença de pessoas de outras nações nórdicas, que acabam em algumas épocas por caracterizá-la como sendo uma cidade de muitas casas, mas de ruas vazias.
Creio também que essa localização e questão foi motivo para sediar o III Congresso Ibero-Americano e Africano de Educação de Adultos e Desenvolvimento Comunitário. Nesse sentido também que lá fora comunicado “O Processo de Inclusão/Exclusão Psicossocial em Comunidades Litorâneas no Nordeste Brasileiro: os Sentidos Experienciados e a Memória Significada”, trabalho esse desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa: Gênero, Família e Desenvolvimento Humano, no Curso de Psicologia da Universidade Federal de Alagoas.
Assim como na cidade, no evento, os espanhóis marcaram grande presença, o que se deve também ao fato de ser a Universidade de Sevilla uma das organizadoras do mesmo. Em geral um congresso de pedagogos, mas no convívio e nas audições logo se percebia a interdisciplinaridade presente e enfocada também como técnica para o capítulo do Desenvolvimento Comunitário.
Isso esteve presente no conteúdo das comunicações e palestras, a grande inquietação fora saber: o que é exclusão? Onde e para que incluir alguma pessoa ou grupo? O que é desenvolver-se? Realmente, não só na relação interpessoal como mesmo aqui jás relatado, vivemos num mundo em que a globalização traz consigo a imposição de modelos de desenvolvimento e, no seu aspecto mais amplo, representações sobre a felicidade: dizimando diferenças importantes e desrespeitando a diversidade.
Mas já num processo inverso, quando é de opção pessoal conhecer outra cultura, nomeadamente a linguagem é a via - diga-se de passagem, divertida - de acesso. Fora em território lusitano que as castanholas tocaram.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

...Semanário enche o papo!



Completando um mês cá, algumas impressões que tinha acabam fugindo do que me ocupava o pensamento para outras imprimirem em mim um pouco de conteúdo e imagem do que vêm a ser um “gajo”. Não é primazia ideológica, pelo contrário: é um pesar de crenças e superação inicial deste choque cultural.

Sinto-me como um bebê, é tudo novo e estou na ponta do pêlo do coelho como no “Mundo de Sofia”. Mas ao mesmo tempo sinto-me envelhecer, as mãos mais enrugadas do clima e a paciência um pouco estreita com a impaciência de algumas pessoas. Incongruente, mas se existe algo que ainda não me acostumei, é com a insatisfação de algumas pessoas. Mas tenho muito cuidado em falar dessas representações e peço também o cuidado de possíveis leitores, pois isso é uma experiência pessoal e, como em todo lugar do mundo, a moeda tem dois lados.

Da Faculdade:
Bem, a começar essa palavra tem um peso enorme aqui. Centro de excelência na produção do conhecimento, quantos dos Doutores, funcionários, serviços, centros, da larga escala investigativa, das respostas a todos os questionamentos, etc. É óbvio que, por um lado esse caráter faz-nos tomar pra si um maior senso de responsabilidade, dever e sentido de orgulho, por outro me parece um tanto apontar para o egocentrismo e um menor diálogo com outras áreas do conhecimento. Está na estrutura da Universidade do Porto, em algumas práticas e - claro - em situações e pessoas.
Essas, em geral, entram muito novas na Universidade , pois além da faixa etária, mesmo as que correspondem às dos calouros brasileiros, não parecem ter essas a mesma. Curioso é ser esse um sentido pessoal já compartilhado com outros estudantes brasileiros em mobilidade e, precisando avaliar essa observação, analisa-se aqui que a hipótese maior é a de provir de um cotidiano onde as preocupações com a sobrevivência (diga-se de passagem, em muitos âmbitos) são bem menores que no Brasil. Por isso há uma linha tênue que divide meu lamento da felicidade em ver como a política gere esse contexto.
Além disso, posso dizer com toda certeza o quanto me tem sido boa a recepção dos estudantes. É também recíproco e, por tudo que já foi desenvolvido esse mês no contexto acadêmico e dos vínculos, quando me perguntam: “Estás a gostar?”, respondo com toda sinceridade que "muito"...e até, pela euforia das pessoas, em alguns momentos me sinto estar numa espécie de Brasil Europeu.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Solenidade

Como desenvolvimento das atividades relativas aos programas de mobilidade, o Maguinífico Reitor José Carlos D. Marques dos Santos faz uma apresentação da Universidade do Porto, onde integram-se como unidades orgânicas as faculdades e estabelecimentos equiparados, que são pessoas colectivas de direito público dotadas de autonomia científica, pedagógica, administrativa e financeira, tendo por objectivos o estudo, a docência, a investigação e a prestação de serviços nos domínios das suas atribuições específicas. Explica ainda que o investimento na internacionalização é um dos objetivos de desenvolvimento evidenciados na implementação de inúmeras iniciativas de carácter internacional, em conformidade com o “Plano de Desenvolvimento Estratégico” da universidade. Esta abordagem permite desenvolver a cooperação existente, iniciar e estabelecer iniciativas de cooperação de carácter inovador através do estabelecimento de protocolos de cooperação com universidades de todo o mundo, da integração em várias redes e grupos de cooperação interuniversitária internacional e da participação activa num número significativo de programas comunitários de ensino, formação e investigação. Muitas destas actividades são especialmente desenvolvidas no âmbito das redes de universidades a que a U.Porto pertence (Grupo Santander, Grupo de Compostela, Grupo de Tordesilhas, Associação Columbus, EUROMED, ASEA-UNINET, EUCEN, entre outros) e através dos vários acordos de cooperação bilateral firmados com universidades de todos os continentes. A cooperação da U.Porto com outras universidades europeias é, ainda, visível sob a forma de atribuição de diplomas conjuntos, sendo de salientar a participação em vários mestrados europeus, bem como a assinatura de vários acordos com instituições europeias e latino-americanas para a atribuição de duplos diplomas, de doutoramentos em regime de co-tutela, e concessão do título de doutoramento europeu. Para tanto, a U.Porto dispõe do Serviço de Relações Internacionais e do Serviço de Cooperação com Países Lusófonos e Latino-Americanos que, de forma integrada, asseguram a coordenação e o desenvolvimento das acções de cooperação internacional. Dessa forma foram dispostos seus serviços e demais promoções em atentimento aos estudantes visitantes em mobilidade.


quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Movimento Estudantil


Entender a prática deste tópico tem sido um tanto difícil aqui no Porto ao passo que a manutenção dos costumes se funde à sentidos libertários. Feições que se apresentam com algumas de minhas dúvidas, me fazem torna-las ao mesmo ponto de onde partiram, à introgetar supostos juísos de valor e despertar a curiosidade que fomenta essa busca pelo saber.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Primeira observação

Então, agora instalado no berço do patrimônio cultural mundial. Essa terra lusitana é mesmo curiosa e, nas ruas, alguns esteriótipos se confirmam ao passo que outros nem tanto. Na foto, Manuel e seu filho, ao fundo outros garotos jogam bola.