terça-feira, 30 de outubro de 2007

Cruzando o País

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Ao pensar que assim o faria, pareceu grandioso. Porém ao ver um ticket que marcava apenas 10 horas de viajem parando nas principais cidades, pensou-se: é...então será um belo passeio. Mas não, não mesmo, a distância marcou a diferença ambiental e, não se sabe se pelo fato de Vila Real de Santo Antônio ser uma cidade turística (ou seria de turistas?), mas era clara a rispidez por parte dos portugueses que lá se encontrou. Perguntar uma informação, iniciar uma conversa, até elogiar algo percebido neles, fora motivo de destrato. “O que se fazer? Como abordar? Contrapor-se?”, eram esses os questionamentos mais freqüentes.
Mas com três dias nessa relação, veio à memória “Um Estranho no Ninho”, como conviver para fazer do mundo um lugar melhor para se viver? Realmente existem coisas as quais não podemos nos contrapor, mas é preciso apresentar-se, falar também da sua loucura e estar aberto para ouvir as outras.
Ainda pensando sobre a questão do turismo, Vila Real de Santo Antônio é uma cidade à beira do rio Guadiana, que ao sul de Portugal lhe faz a divisa com a Espanha. Por essa proximidade geográfica é que muitos espanhóis acabam por ter lá residências, empresas e barcos, muitos barcos. Também é notável a presença de pessoas de outras nações nórdicas, que acabam em algumas épocas por caracterizá-la como sendo uma cidade de muitas casas, mas de ruas vazias.
Creio também que essa localização e questão foi motivo para sediar o III Congresso Ibero-Americano e Africano de Educação de Adultos e Desenvolvimento Comunitário. Nesse sentido também que lá fora comunicado “O Processo de Inclusão/Exclusão Psicossocial em Comunidades Litorâneas no Nordeste Brasileiro: os Sentidos Experienciados e a Memória Significada”, trabalho esse desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa: Gênero, Família e Desenvolvimento Humano, no Curso de Psicologia da Universidade Federal de Alagoas.
Assim como na cidade, no evento, os espanhóis marcaram grande presença, o que se deve também ao fato de ser a Universidade de Sevilla uma das organizadoras do mesmo. Em geral um congresso de pedagogos, mas no convívio e nas audições logo se percebia a interdisciplinaridade presente e enfocada também como técnica para o capítulo do Desenvolvimento Comunitário.
Isso esteve presente no conteúdo das comunicações e palestras, a grande inquietação fora saber: o que é exclusão? Onde e para que incluir alguma pessoa ou grupo? O que é desenvolver-se? Realmente, não só na relação interpessoal como mesmo aqui jás relatado, vivemos num mundo em que a globalização traz consigo a imposição de modelos de desenvolvimento e, no seu aspecto mais amplo, representações sobre a felicidade: dizimando diferenças importantes e desrespeitando a diversidade.
Mas já num processo inverso, quando é de opção pessoal conhecer outra cultura, nomeadamente a linguagem é a via - diga-se de passagem, divertida - de acesso. Fora em território lusitano que as castanholas tocaram.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

...Semanário enche o papo!



Completando um mês cá, algumas impressões que tinha acabam fugindo do que me ocupava o pensamento para outras imprimirem em mim um pouco de conteúdo e imagem do que vêm a ser um “gajo”. Não é primazia ideológica, pelo contrário: é um pesar de crenças e superação inicial deste choque cultural.

Sinto-me como um bebê, é tudo novo e estou na ponta do pêlo do coelho como no “Mundo de Sofia”. Mas ao mesmo tempo sinto-me envelhecer, as mãos mais enrugadas do clima e a paciência um pouco estreita com a impaciência de algumas pessoas. Incongruente, mas se existe algo que ainda não me acostumei, é com a insatisfação de algumas pessoas. Mas tenho muito cuidado em falar dessas representações e peço também o cuidado de possíveis leitores, pois isso é uma experiência pessoal e, como em todo lugar do mundo, a moeda tem dois lados.

Da Faculdade:
Bem, a começar essa palavra tem um peso enorme aqui. Centro de excelência na produção do conhecimento, quantos dos Doutores, funcionários, serviços, centros, da larga escala investigativa, das respostas a todos os questionamentos, etc. É óbvio que, por um lado esse caráter faz-nos tomar pra si um maior senso de responsabilidade, dever e sentido de orgulho, por outro me parece um tanto apontar para o egocentrismo e um menor diálogo com outras áreas do conhecimento. Está na estrutura da Universidade do Porto, em algumas práticas e - claro - em situações e pessoas.
Essas, em geral, entram muito novas na Universidade , pois além da faixa etária, mesmo as que correspondem às dos calouros brasileiros, não parecem ter essas a mesma. Curioso é ser esse um sentido pessoal já compartilhado com outros estudantes brasileiros em mobilidade e, precisando avaliar essa observação, analisa-se aqui que a hipótese maior é a de provir de um cotidiano onde as preocupações com a sobrevivência (diga-se de passagem, em muitos âmbitos) são bem menores que no Brasil. Por isso há uma linha tênue que divide meu lamento da felicidade em ver como a política gere esse contexto.
Além disso, posso dizer com toda certeza o quanto me tem sido boa a recepção dos estudantes. É também recíproco e, por tudo que já foi desenvolvido esse mês no contexto acadêmico e dos vínculos, quando me perguntam: “Estás a gostar?”, respondo com toda sinceridade que "muito"...e até, pela euforia das pessoas, em alguns momentos me sinto estar numa espécie de Brasil Europeu.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Solenidade

Como desenvolvimento das atividades relativas aos programas de mobilidade, o Maguinífico Reitor José Carlos D. Marques dos Santos faz uma apresentação da Universidade do Porto, onde integram-se como unidades orgânicas as faculdades e estabelecimentos equiparados, que são pessoas colectivas de direito público dotadas de autonomia científica, pedagógica, administrativa e financeira, tendo por objectivos o estudo, a docência, a investigação e a prestação de serviços nos domínios das suas atribuições específicas. Explica ainda que o investimento na internacionalização é um dos objetivos de desenvolvimento evidenciados na implementação de inúmeras iniciativas de carácter internacional, em conformidade com o “Plano de Desenvolvimento Estratégico” da universidade. Esta abordagem permite desenvolver a cooperação existente, iniciar e estabelecer iniciativas de cooperação de carácter inovador através do estabelecimento de protocolos de cooperação com universidades de todo o mundo, da integração em várias redes e grupos de cooperação interuniversitária internacional e da participação activa num número significativo de programas comunitários de ensino, formação e investigação. Muitas destas actividades são especialmente desenvolvidas no âmbito das redes de universidades a que a U.Porto pertence (Grupo Santander, Grupo de Compostela, Grupo de Tordesilhas, Associação Columbus, EUROMED, ASEA-UNINET, EUCEN, entre outros) e através dos vários acordos de cooperação bilateral firmados com universidades de todos os continentes. A cooperação da U.Porto com outras universidades europeias é, ainda, visível sob a forma de atribuição de diplomas conjuntos, sendo de salientar a participação em vários mestrados europeus, bem como a assinatura de vários acordos com instituições europeias e latino-americanas para a atribuição de duplos diplomas, de doutoramentos em regime de co-tutela, e concessão do título de doutoramento europeu. Para tanto, a U.Porto dispõe do Serviço de Relações Internacionais e do Serviço de Cooperação com Países Lusófonos e Latino-Americanos que, de forma integrada, asseguram a coordenação e o desenvolvimento das acções de cooperação internacional. Dessa forma foram dispostos seus serviços e demais promoções em atentimento aos estudantes visitantes em mobilidade.