segunda-feira, 14 de abril de 2014

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Cambiará?


Nunca tão distante.
Uma ilha,
aqui há lugar e momento para tudo:
para falar,
para sair e para entrar...
para respirar,
“pare!”

Ainda assim, respirar é sufocar-se:
outro país,
estado,
matéria,
disciplina.

Vim para estudar e não posso,
É tempo de ser re-examinado,
Que tal eletrodos?
Enfim, livrariam-me da culpa de não saber.

A saudade do Brasil e as noticias de um belo carnaval já não se fazia tão presente. Simplesmente até o dia 5 de Fevereio, era carnaval, e como se não bastasse a ausência de festas, não se acessava os professores para discutir erros nas provas, ou seja, tinha mais uma tentativa.
Como se aprende? Como se estudar? Não se havia acreditado quando, após belas aulas, se fosse deparar com uma prova decorativa. Pode-se citar um exemplo genericamente: em uma delas foram abordados 27 teóricos e na prova cobradas postulações de 3 (quando podemos dizer que só um desses é tido como "mais importante"). O “exame” não apresenta então uma questão de dificuldade de aprendizagem, mas do contrário uma indicação da capacidade de memorização.

Ao mesmo tempo se faz forte a saudade das coisas de minha terra. Posso dizer com "o que" ou "com quem" podemos contar no nosso Curso: temos em torno de 250 estudantes, de onde uma boa parcela é empenhada na curiosidade de pesquisar, contribuir na formação do curso, organizar eventos e participar dos movimentos acadêmicos.
Atualmente o curso fora reformulado, passando assim - como são os outros do Brasil - para 5 anos. Antes, com 6 anos, as cadeiras eram anuais e tinhamos o ultimo ano dedicado exclusivamente ao estágio final e Trabalho de Conclusão de Curso(TCC). Agora, com 5 anos, as cadeiras passam a ser semestrais e, dessa vez, no ultimo ano creio que somam-se mais uma ou duas cadeiras disciplinares. A mudança aferiu maior qualidade à forma como se tem ensinado, por outro lado -alternativamente- nós do sistema anual acabamos também estimulando os professores e alunos a tal.
Através de uma análise quantitativa, obtêm-se um indicativo de uma Faculdade não muito boa: faltam materiais, laboratórios, investimento financeiro e um ou outro professor. Mas sobra empenho, vontade e qualidade dos que estão a aprimorar nosso Curso, não é a toa que temos (o curso) recebido alguns prêmios que revelam um outro caráter do que vêm a ser "um bom curso".
Em 2007 somam-se vários ganhos entre TCC´s e Pesquisas premiadas nacionalmente, nomeadamente na ABEP (Associação Brasileira de Ensino em Psicologia) e ABRAPSO (Associação Brasileira de PSicologia Social). Em relação a esta última contamos atualmente com 3 de nossos professores em sua presidência.
Tem-se feito além disso a contratação de novos professores em busca da implantação do Mestrado, e dos já contratados desenvolve-se novas pesquisas.
Não menos importante, algumas movimentações dão graça ao que temos nos dedicado: Psicopa, Psicótica (...filmes na ótica psicológica), Psicoluau, Trote no Divã, Produção e participação em Encontros Regionais e Nacionais.
Aos poucos, no fundo, Clarisse Lispector poderia traduzir melhor o que pessoalmente tenho observado no Curso de Psicologia da UFAL: "Mude, mas devagar. Pois a direção é mais importante que a velocidade".
Tudo isso enfim tempera o curso de Psicologia, pensando bem já não é mais uma questão de saudade, está me fazendo falta.
Mas finalmente se passaram as provas, é tempo então de alimentar a esperança e lembrar dos amigos da carreira de Pedagogia que então em Sevilla criticando o papel uniformizador da educação ao tempo que alimentam a esperança na construção de uma relação com as pessoas onde o ensino e a aprendizagem estão sustentados principalmente pela afetividade. Já posso compensar-me um pouco, não?

Que situação...



Os professores não comunicam as notas enquanto as provas de recuperação vão se aproximando. “Acho que vou fazer uma no dia 6, mas de certeza já tenho uma outra no dia 11 de uma matéria cuja metodologia para estudo frente a prova é somente decorativa, não é mesmo o que eu esperava. Por outro lado tenho os trabalhos e um Projeto de investigação que já estão nas mãos dos professores para corrigirem, apesar da entrega ser dia 8 de janeiro, vamos ver o que se passará.”
Os diferentes rendimentos definitivamente refletiram no fato de pessoalmente fazer as coisas apostando em objetivos acadêmicos que me guiam no intercurso à focalizar o bem estar social, a contribuição à populações desfavorecidas, à busca de métodos que aperfeiçoem a nossa humanidade. A concepção de ser humano apresentou facetas congruentes às diferenças culturais. Assim a experiência está sendo ótima, vivenciar outros modelos e uma realidade diferente tem me servido um mostruário de possibilidades e impossibilidades. As coisas que julgo não relevantes ao desenvolvimento de meus estudos no Brasil não pode ser tidas como inadequadas, pois são coniventes com a história desse lugar, dessa faculdade. Da mesma forma quero ter a aprovação da minha Universidade, pois minhas notas e minha dinâmica aqui traduzem um pouco do que é ser um estudante: dialético, responsável e crítico.Agora, não menos crítico, estuda-se pra saber o que se deve dizer à alguns professores para que eles tenham seus egos acariciados, no fundo pode ser isso.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

França



Paris é mesmo uma cidade de contrastes, andar à ribeira do Senna produz efeitos fantásticos, mas seu subsolo - principal zona de transporte público - é angustiante, enormes labirintos sem limpeza alguma.
Então a rotina que se estabeleceu em poucos dias fora sair de uma condução insalubre para fantasias, como o Louvre: um museu colossal que reúne desde a obra mais famosa do mundo (Monalisa) à qualquer objeto raro egípcio desconhecido.
Muitos monumentos antigos e belos, as Notre Dame em todo lugar e um clima de terror instaurado, facilmente observável nas rondas grupais de militares fortemente equipados e armados, atentos a qualquer tipo de ameaça a integridade da cidade, que parecia pintada.
À volta, com a decisão casual de esperar o vôo em outra cidade, foi Bouveau que surpreendeu, com o clima interiorano de seu centro histórico em contraste também com o desenvolvimento tecnológico de sua periferia.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Exames: averiguando o saber?


Essa viajem pode desmistificar enfim uma serie de coisas. Usa-se o passado pelo sentido de que as primeiras impressões de “viajem sonho" já acabou. Quando poderia do contrario confirma-las, o compromisso ético me conduz ao cumprimento dos trabalhos da faculdade e estudos sistemáticos para os tão falados “exames”, ao concomitante interesse cada vez mais intenso por outros estudos do meu projeto de conclusão de curso, ou seria iniciação?
Enfim, viajar a conhecer novas culturas também ocupou as preocupações. Imaginar estar nos estudos e se dar conta que logo mais há um vôo marcado para a França é algo bastante incômodo. É, realmente irritante “ter um vôo marcado para a Fraça”, quando poderia se estar indo “à uma viajem pela terra romântica”.
Mas a novela continua. Ficar sem notícias e presença dos professores em época de exame é uma experiência exótica. O desinteresse por conteúdos específicos e a obrigação do aprofundamento teórico, específico e decorativo não tem mesmo me agradado. Não acredito que esse seja o objetivo do que poderíamos chamar de avaliação. Do contrário, o papel desta é realmente averiguar o que se sabe, como estão se desenvolvendo as reflexões dentro da disciplina, ainda mais que isso, seu papel é formador.
Mas então cumpridas essa primeira etapa de exames é tempo de, ao menos na viajem à França, despreocupar-se do que não está acessível e agarrar com força a oportunidade de conhecer outra cultura.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Itália


Dando seqüência à nossa, Gênova foi a próxima parada. nos instalamos pela manhã em um pequeno albergue por entre as ruas estreitas e calmas de uma região no entorno da estação. Ao acordar ainda pela manhã, a cena já era outra: pessoas gritando e muito movimento de compra e venda de produtos contrabandeados. Era notável na fisionomia das pessoas que ali transitavam, que aquela era uma região de muita imigração: indianos, africanos e orientais. Gênova é uma cidade extremamente portuária que apresenta também marcas de guerra, mas seu desenvolvimento comercial e a enorme quantidade de containeres e navios remete justamente a imaginar um passado de um local estratégico e fundamental na época da guerra.
Gênova apresentou-se como uma cidade de consideráveis contrastes. Lugares de vista bela e muita natureza se misturam ao concretismo de sua arquitetura e às suas instalações metálicas marítimicas. Como se não bastasse, fora naquele momento em que uma noticia instaurou o clima de desespero entre os viajantes que, simplesmente sem comédia alguma, conseguiram sacar o restante do dinheiro - diga-se de passagem - necessário para continuar a viagem. O grupo então passou a funcionar sob outro sistema: dormia-se uma noite e a seguinte andava-se pelas ruas ou permanecia-se em alguma estação de transportes.
E foi assim todo o restante da viagem. Contou-se ainda com a ajuda de empréstimos de duas amigas que portavam cartões internacionais, estes de fato possibilitaram a realização de operações internacionais em outro circuito que não o luso-brasileiro.
A destino de Veneza o grupo passou rapidamente pela cidade de Pisa e como é óbvio avistou a intrigante Torre de Pisa. Nesse momento, na intersubjetividade já era aparente a heterogeneidade do grupo, fato que impôs dificuldades práticas a nível das decisões concomitantemente ao processo criativo de identidades subgrupais ao mesmo tempo que todos esses conseguiam dialogar em busca de um consenso, atingindo assim esse objetivo e chegando ao destino comemorativo do fim de ano em Veneza.
A beleza de Veneza presenteou o grupo que seguiu curioso a Torin em busca de neve. Ao lá chegar e não encontrá-la, o grupo continuou a busca na cidade de Bussoleno, onde lá já avistava-se os Alpes italianos. Seus picos estavam totalmente brancos, o cenário era belíssimo, mas queria-se tocar na neve, andar, escorregar e brincar como nos antigos sonhos de criança.
Enfim, Bardoneccia. É bastante fácil imaginar uma série de pessoas admiradas com a neve já na estação de trem e a feição ainda mais impressionada dos populares que lá estavam a avistar aquela cena. Foi realmente uma busca pelo inédito, ali jás não mais.
Era tempo de voltar ao sentido leste, Milão: como qualquer outra cidade grande que “tem tudo mas não têm nada”. Foi isso que ouviu-se antes de lá ir e que – em certos aspectos – pode se confirmar. Por outro lado, muito agradou uma exposição ao ar livre de fotografias: uma rua larga transformada em museu, nada melhor para aquele grupo.
Já era momento para retornar ao Porto, muitos estavam exaustos, outros já tinham retornado às suas residências. Mas o mentor e outros componentes dessa expedição persistiam. Foram assim para Barcelona.
A efusiva Espanha já era conhecida em si pela alegria e simpatia de seu povo. Foi a vez de Barcelona ratificar isso e surpreender com a beleza de sua arquitetura e potencial artístico apresentado nas ruas e envolvendo a grande parte dos transeuntes.
Enfim, Porto. Era como se sentir em casa, não precisar de um mapa para locomover-se já era algo que nos dava sentido de independência. Chegamos a tempo de nos instalar novamente e agora já é tempo de preparar-se para os tão comentados “exames” da Universidade.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Itália



Na ida para Itália, já do avião avistava-se: o cenário era realmente diferente, a imponência dos Alpes de Torino e em seguida o território com divisões típicas de minifúndios inspiravam a imaginação. Como será essa viajem?
Então, desembarcando na cidade de Pisa, sem o domínio do Italiano e não sabendo os mesmos falarem o inglês, a dificuldade na comunicação já se estabelecia quando se procurava conduzir-se de trem à Roma em busca de outros bolsistas Santander. Na mistura de idiomas então, com muito esforço, chegou-se a Roma e encontro-se os amigos em plena Missa do Galo. O natal, como já apresentava mudanças na dinâmica social e mercadológica do Porto, ali – em pleno Vaticano – observou-se o mesmo, a peculiaridade fora o turismo religioso e o fenômeno incrível de toda uma população emocionada em meio àquele evento e à imponência daquela estrutura arquitetônica. Expressões faciais traduziam no suposto significado sagrado que era estar ali a ver uma missa rezada pelo Papa.
No dia-a-dia de Roma, alguns fotos já sinalizavam a diferença que há - em relação ao Porto - no poder aquisitivo da população, a desigualdade social e a dinâmica dos serviços oferecidos a ela. Respectivamente pode-se se tratar dos preços de produtos alimentícios, vestimentas e utensílios para o lar, a quantidade de mendigos nas ruas (que não era pequena), violência, poluição visual e funcionamento ilegal dos auto-carros. Ao lado disto intocável e cuidadosamente administrados eram os pontos turísticos: ruínas do Coliseu, as inúmeras igrejas (com destaque a do Vaticano onde não se pode se quer sentar ao chão), as fontes, esculturas, antigos templos; enfim, pontos da cidade que integravam-se numa rota turística com públicos de vários seguimentos: há os que visitam a cidade e perambulam pelas ruas pousando para fotos em frente aos monumentos sem nada conhecer sobre a história dos lugares e significados das construções e os que pagam fortunas para entrar nos mesmos e os que o fazem com guia explicativo.
Essa situação não é diferente em outras cidades italianas, pode-se assim confirmar. Desartes foi preferido de alguns do grupo em intercâmbio conhecer e pesquisar o que seria visto nessas cidades para então visitarmos. Infelizmente, ou ótimo em sentido da surpresa, nem tudo pode ser pesquisado, o que fora deflagrada na visita à cidade seguinte (Arezzo), pequena cidade na rota Roma/Florença em que fora gravado o filme “A Vida é Bela”, de Roberto Begnine e dando seqüência em Florença, com a “Vênus” de Boticceli.
Florença, cidade berço do Renascimento italiano e berço das obras de Dante Alighieri, Leonardo da Vinci e Michelangelo, por muito tempo foi considerada a capital da moda, conteúdo este que estimulou a curiosidade ao andar nas ruas e se perguntar: como seria aqui anteriormente? E ter o respaldo do atual da famosa avenida “Roma”, diversas grifes, marcas famosas, estilos diversos e alguns hábitos mais clássicos, se refletindo na dinâmica social. Foi ali onde o estereótipo do povo italiano efusivo e alegre se confirmara. É claro que isto é uma observação de conteúdo muito subjetivo relativo às experiências específicas. Tanto quanto a cidade de Roma deverá ser aos católicos, fora Florença para mim, mesmo verificadas alguns procedimentos injustos, como a cobrança absurda de taxas de visitação de obras famosas e, não só isso, as igrejas: que não são mais um lugar juntar-se os católicos para se rezar e sim uma fonte de renda absurda na rota turística já citada aqui.
Foto: Vaticano
Obs.: Ainda virá a continuidade da viagem pela Itália. Até mais!